Incontinência urinária afeta milhões de brasileiras e ainda é tratada como algo ‘normal’
- Angelo Davanço

- há 4 dias
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Escapes de urina ao tossir, rir ou praticar atividade física são comuns, especialmente entre as mulheres, mas não devem ser ignorados; especialistas alertam que a condição tem tratamento eficaz

A incontinência urinária afeta cerca de 10 milhões de brasileiros e é mais frequente entre mulheres, atingindo entre 11% e 23% da população feminina - índice que pode chegar a 45% após os 40 anos e a até 50% em mulheres acima dos 75 anos. Apesar da alta prevalência, o problema ainda é frequentemente tratado como algo “normal”, especialmente após a maternidade ou com o avanço da idade.
Segundo dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a condição também afeta os homens - cerca de 15% acima dos 40 anos -, mas é nas mulheres que os impactos são mais expressivos, tanto pela frequência quanto pelas consequências na rotina.
Mesmo sendo comum, especialistas da Clínica Daniella Leiros, em Ribeirão Preto (SP), alertam que a incontinência urinária não deve ser naturalizada. Escapes ao rir, tossir ou fazer exercícios são sinais de que algo não está funcionando adequadamente no corpo.
“A normalização do sintoma faz com que mulheres adaptem a vida ao escape, usando absorventes, evitando exercícios ou reduzindo o convívio social”, explica a fisioterapeuta Marielle Yali, especialista em continência urinária.
A perda de urina está diretamente relacionada ao funcionamento do assoalho pélvico, conjunto de músculos responsável por sustentar órgãos como a bexiga e auxiliar no controle urinário. Quando essa musculatura apresenta fraqueza, falta de coordenação ou sobrecarga, os escapes podem surgir.
O problema pode afetar mulheres de diferentes idades, incluindo jovens e fisicamente ativas. Ainda assim, muitas deixam de buscar ajuda por vergonha ou por acreditarem que a condição é inevitável.
Tratamento vai além do controle do sintoma
A fisioterapia pélvica é considerada tratamento de primeira linha nas diretrizes internacionais para a incontinência urinária. O acompanhamento envolve avaliação individualizada, exercícios específicos, reeducação vesical e orientações sobre hábitos que impactam a saúde da bexiga.
“Tratar incontinência não é apenas conter o sintoma, é devolver autonomia”, afirma a fisioterapeuta Josiane Pavão, especialista em saúde íntima.
Além da melhora dos sintomas físicos, o tratamento contribui para restaurar a confiança, a liberdade e a qualidade de vida das pacientes, reduzindo impactos emocionais e sociais associados à condição.
Quanto antes, melhor
A incontinência urinária tende a se tornar mais frequente com o envelhecimento, com taxas que variam entre 20% e 35% entre pessoas de 50 a 75 anos e podem chegar a 50% após os 75 anos. No entanto, especialistas reforçam que o diagnóstico e o tratamento precoces fazem diferença significativa na evolução do quadro.
Buscar orientação ao perceber os primeiros sinais ajuda a evitar a progressão da condição e permite intervenções mais simples e eficazes.
O principal alerta dos profissionais é claro: perder urina não é normal e não deve ser ignorado. Informação, acompanhamento adequado e tratamento especializado são caminhos para recuperar o controle e a qualidade de vida.
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